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A força que nos impulsiona a superar os obstáculos

A monja zen budista Wahô Degenszajn concede ensinamentos primordiais para entrar em contato com essa preciosidade que traz novas e saudáveis formas de se viver, apesar dos pesares

Na primavera de 2007, Wahô Degenszajn foi ordenada monja zen budista, da escola Soto Zen do budismo japonês, pela monja Coen. Desde então, se tornou uma figura muito conhecida, principalmente em São Paulo, onde promove encontros de meditação nas ruas (atualmente, na praça do Ciclista na avenida Paulista) e na Sala Therigatha de Zazen (rua Arruda Alvim, 195, no bairro Pinheiros). Para ela, meditar leva à compreensão da impermanência de tudo, inclusive do sofrimento. E essa é a chave para conseguirmos reunir as forças necessárias para superar os momentos difíceis.

Monja Wahô – Foto Ana Lu Sanches

Monja Wahô, é comum ouvirmos histórias de pessoas que passaram por problemas seríssimos e mesmo assim conseguiram “dar a volta por cima”, reuniram forças e acabaram por criar uma realidade positiva para elas. Que força é essa que nos impulsiona a fazer grandes transformações quando parece que tudo está perdido?

Um dos principais ensinamentos de Buda é sobre a impermanência. Entender que somos um processo em constante transformação, que as alegrias e as dores virão, mas nenhuma delas são fixas e permanentes, nos permite acessar um local de descanso maravilhoso, que pode nos impulsionar a encontrar saídas em momentos de crises. Se algo difícil nos acontece e ficamos remoendo a situação, sentindo pena de nós mesmos ou com raiva dos outros, estamos de fato retendo o sofrimento e amplificando ele. Buda exemplifica isso, como se levássemos uma flechada e, ao invés de remover a flecha, ficássemos questionando: por que comigo, de onde veio a flecha, etc… Ao pensar assim, seria como se cravássemos a flecha novamente! Isso significa que estamos alimentando nosso sofrimento.

Por que algumas pessoas conseguem acionar essa força e outras não?

Precisamos estar conscientes de como reagimos às coisas que nos acontecem na vida, esse é um primeiro passo. Uma reação muito comum que temos é se justificar quando somos criticados por algo ou quando falhamos. Se apenas ficamos justificando, perdemos a capacidade de uma ação correta, uma ação transformadora capaz de gerar harmonia. Buda nos ensinou sobre as Quatro Nobres Verdades: (1) o sofrimento (existencial) existe, (2) existe uma causa para esse sofrimento, (3) se conhecermos essa causa e pararmos de alimentá-la, haverá a cessação do sofrimento e, portanto, poderemos apreciar um estado de paz e tranquilidade (4) sabendo que até mesmo esse estado não é permanente. Mas primeiro precisamos querer olhar para nosso sofrimento com verdade e intimidade. Quando ficamos conscientes do que nos faz sofrer, transformamos. Mas nem sempre queremos fazer isso.

E por que nem sempre queremos fazer isso?

Nem sempre queremos fazer isso porque isso significa assumir que você é responsável por esse sofrimento. Um diagnóstico de uma doença é um fato externo a sua vontade, mas como lidar com esse diagnóstico é escolha nossa e é desse sofrimento que estamos falando.

Como entrar em contato com essa força e despertá-la?

A meditação é um caminho de transformação profunda. Através da meditação percebemos como vivenciamos as experiências da vida, percebemos como escolhemos reter pensamentos que às vezes nos são prejudiciais ou não nos permitem “dar a volta por cima”. Retemos nossas dores, não as deixamos ir.

Um exemplo bem prático: você programou seu dia de maneira muito eficiente, muitas coisas para fazer e, ao sair de manhã de casa, encontra seu carro com o pneu no chão, o que você faz? Você fica se queixando, achando que tudo acontece de ruim para você, culpa alguém ou troca o pneu ou chama um táxi? Nesse momento, o que escolhemos? Quando meditamos, vemos nossa mente com mais clareza e fica mais difícil não ver a verdade. Quando vemos a verdade do sofrimento, podemos transcendê-lo. A verdade do sofrimento é o que de fato está nos fazendo sofrer e quase sempre é o apego a uma ideia de eu separado do outro, a dualidade.

Quais fatores nos impede de entrar em contato com essa força?

Acreditar em um eu fixo, permanente. Em uma identidade construída que precisamos proteger e manter a qualquer custo.

Como assim?

Quem nunca falou: “eu sempre fui assim”? O Budismo fala do desapego, e quase sempre pensamos no desapego de coisas materiais, mas de fato devemos nos desapegar de nossas ideias fixas.

Das ideias fixas que nos fazem mal ou de todas as ideias fixas?

De todas as ideias fixas, pois elas são uma ilusão. Acreditar na ilusão é estar deludido. Nascemos todos os dias para um dia novinho em folha, vivemos como se fosse sempre a mesma segunda feira. Esquecemos que nenhum instante se repete na vida, experimentar isso é libertador.

O Zen Budismo tem um nome para essa força?

Essa força é a força da Vida, a Vida da Terra, onde nada falta e nada excede. O mestre Zen Kantchi Sozan Daioshô nos diz:

“ O Grande Caminho não é difícil para quem não tem preferências. Apenas quando livres do amor e do ódio o caminho se revela completo e sem disfarces.”

Nós somos a Vida da Terra, vivemos na dualidade, achando que estamos separados de tudo, quando de fato não estamos, impossível ser. Realizar isso, o estado Uno nos fortalece, nos acolhe e essa força abarca tudo.

Você poderia ensinar uma meditação para ajudar o leitor a entrar em contato com essa força interior?

Nós praticamos Zazen (meditação sentada) e é essa prática que eu recomendo a todos. Procure ajustar o corpo em uma posição confortável, em uma almofada ou em uma cadeira. Não use o encosto da cadeira, mantenha as costas eretas, isso vai te permitir manter a respiração livre. Para almofada, procure tocar os joelhos no chão formando uma base estável para coluna. Respire três vezes profundamente pelo nariz e solte o ar pela boca.

Depois, feche os lábios e respire pelas narinas. Não controle mais a respiração, apenas a observe. Sem julgamento. Durante o zazen, mantemos os olhos semiabertos e nas salas de prática nos sentamos voltados para a parede. Perceba os sons, os pensamentos e deixem que passem, não retenha nada. São apenas pensamentos, não são a realidade. Convido vocês a praticar na sala de zazen, é muito importante se sentar com a sanga (grupo de praticantes). Em São Paulo, fazemos zazen na rua todas as sextas-feiras, às 18h30m, na Praça do Ciclista, na avenida Paulista e estamos construindo um Mosteiro Urbano.

Contato
Facebook: sala therigatha zazen ou waho degenszajn

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